| (Poucas) novidas na imprensa musical (Artigo) |
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| Escrito por r1ck | |||
| Terça, 29 Julho 2008 02:53 | |||
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Texto originalmente publicado no blogue http://abcdaemonium.blogspot.com Desde Junho de 2007, quando publiquei o artigo “A imprensa musical portuguesa - Um cenário pouco optimista” (http://www.festadamusica.net/viewtopic.php?t=26 ), diversos projectos chegaram ao mercado jornalístico especializado em música, transmitindo-nos a ilusória sensação de crescimento desmesurado, particularmente nos últimos seis meses, período no qual a oferta se intensificou.
O mais ambicioso e original desses empreendimentos é o site Hardsound TV, primeiro canal de televisão online português especializado em Metal, apresentando algumas derivações Rock. Tendo firmado parcerias com a revista “Loud!” (cuja existência o editorial da edição nº 87, de Abril, afirmou estar em risco) e com as editoras Warner Music Portugal e Raging Planet, a Hardsound TV veio suprimir uma lacuna há demasiado tempo em aberto, transmitindo entrevistas, reportagens de espectáculos, vídeo clips e mini-documentários. Por outro lado, a Optimus reforçou o posicionamento dominante no mercado português dos patrocínios musicais, em que se estreou há vários anos no âmbito dos grandes festivais. Recentemente, abraçou também iniciativas como os Concertos@Optimus ou o Clubbing, sem esquecer a comercialização de toques para telemóvel. Desta feita, no âmbito da sua estratégia de aproximação aos jovens, a terceira maior operadora móvel portuguesa criou recentemente dois órgãos de comunicação social institucionais, tendencialmente mainstream, especializados em música. O site Optimus Música foi o primeiro a surgir, seguido do jornal / suplemento “Blitz”, lançado mensalmente com a revista do mesmo nome (que surgiu em 1984 como jornal, passando em 2006 ao formato actual e tendo já em Abril deste ano assumido o formato híbrido de jornal/revista). No segmento profissional / técnico chegou recentemente às bancas a revista mensal “Arte Sonora”, que disponibiliza análises a produtos, comparativos, dicas, entrevistas com músicos, tutoriais, perguntas e respostas, etc. Sendo a primeira revista do género lançada no mercado após o fim da saudosa “Promúsica”, esperemos que se mantenha e outras lhe sigam os passos. No reino da edição independente Por outro lado, o segundo número da revista “Metal Bit IX” – cuja edição 0, experimental, foi lançada no fim de 2007 pela associação de Juventude Bit IX, sedeada em Ponta Delgada, nos Açores – é aguardado para breve. Amadora mas com pretensões profissionais, constitui também uma proposta interessante, embora com diversos aspectos a melhorar em termos gráficos e oferta de conteúdos. A sua originalidade reside na especialização do Metal feito nos Açores. Tendência interessante dos últimos meses é o surgimento de publicações digitais independentes de circulação gratuita em formato PDF (opção maioritariamente ditada pelos valores proibitivos da impressão), com grafismo e conteúdos profissionais, da responsabilidade de talentos emergentes. O conceito da revista “CheckSound” incide especialmente na fotoreportagem - a qualidade do trabalho dos jovens fotógrafos humilha muitos profissionais consagrados. Na “SoundCheck” (de periodicidade mensal) abundam reportagens e fotos de espectáculos de bandas nacionais e estrangeiras, proporcionado ao leitor uma salutar variedade de conteúdos. Lançada em Junho, a edição inaugural da “Horns Up”, apresenta igualmente um assinalável grau qualitativo. Fundada e dirigida pelo brasileiro Matheus Moura, actualmente a residir em Mem Martins, a revista, bimestral e especializada no Som Eterno, prossegue o trabalho desenvolvido no site do mesmo nome, que agora lhe dá vez. Notícias, críticas, entrevistas e reportagens de espectáculos são os principais conteúdos. Apenas a edição / revisão dos textos deveria ser mais cuidada, eliminando os termos usados no Português do Brasil. Igualmente disponíveis em PDF, embora de formato bastante mais amador, encontram-se disponíveis a e-newsletter “Music Interview” (da responsabilidade deste vosso escriba) e a e-zine “Serpente”. Com efeito, a imprensa underground predominantemente amadora conheceu também alguma evolução, assistindo os fãs ao lançamento, por exemplo, das fanzines “Irmandade Metálica”, órgão oficial do fórum com o mesmo nome (acessível em irmandademetal.17.forumer.com/); “Metal Horde”, “Laudatio Funebris” ou “Sangue do Diabo”, cuja primeira edição se encontra disponível gratuitamente. Destaque ainda para a webzine “Rock & News”. Ainda no que à Internet diz respeito, embora numa toada profissional, surgiu também o “Sons da Margem Sul”, site que dá visibilidade não só aos projectos formados na Margem Sul do Tejo, mas também a concertos e todo o género de iniciativas musicais que aí se realizam. A dinâmica do éter Como se previa, a rádio também verificou alguma evolução, especialmente no segmento universitário, por tradição mais empreendedor, criativo e independente. Destaco o surgimento de programas como o “Música de Peso”, o “Marca Branca”, o “Ritualis Metallum Infernalium”– todos emitidos na Rádio Zero, uma secção autónoma da Associação dos Estudantes do Instituto Superior Técnico (AEIST) -, o “Descarga Sonora”, com emissão assegurada pela JornalismoPortoRádio, uma webradio desenvolvida no âmbito do curso de Jornalismo e Ciências da Comunicação da Universidade do Porto (UP); ou o “Rockódromo”, emitido na webpage da Rádio Universitária do Algarve (RUA), cuja grelha de programação dificilmente poderia ser mais rica e diversificada. Mas… Em suma, nos últimos 12 meses surgiram muitos e bons projectos, mas ainda assim em número insuficiente nos vários segmentos de mercado. Além disso, a crónica falta de meios financeiros, humanos e logísticos ameaça a continuidade de muitos destes projectos. Por outro lado, a análise que fiz para redigir esta peça revelou, em geral, uma aflitiva escassez de originalidade e pluralidade de conteúdos (excepções feitas às revistas “Arte Sonora” e “SoundCheck” e à fanzine “Irmandade Metálica”), o que poderá gerar desinteresse no público. Finalmente, a inexistência de uma revista profissional concorrente da “Loud!” continua a marcar o dia-a-dia metálico português (em Janeiro o MySpace da “MetalHeart” anunciava que um novo projecto surgiria em breve, mas o público dispensa as intenções dos responsáveis da publicação, cuja experiência anterior não deixou saudades). E pensar que só a editora espanhola MC Ediciones (www.mcediciones.net/ ) apresenta no seu catálogo quatro publicações especializadas em Metal – “Heavy Rock”, “Heavy Rock Especial”, “Kerrang!” e “Metal Hammer”, bem como dois títulos dirigidos ao segmento técnico-profissional – “Batería Total” e “Guitarra Total”. É certo que a qualidade das revistas espanholas é praticamente nula, mas a ampla oferta existente no mercado e o facto de gigantescos grupos editoriais – por definição interessados unicamente em títulos comerciais – investirem em nichos dá que pensar. Pior, demonstra que, no reino de D. Sebastião, praticamente nada mudou. Dico Links
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