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“Barões”, caciques e pobres de espírito (Artigo) PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por r1ck   
Terça, 29 Julho 2008 02:55

Artigo originalmente publicado no blogue http://lusitaniadepeso.wordpress.com/
“Barões”, caciques e pobres de espírito
 

Nos últimos 20 anos, a semelhança da indústria musical portuguesa com a política chegou aos limites do absurdo. Eu explico: nos partidos existem os “barões”, os “notáveis”, cujo trajecto político se dilui na história do partido. Essas figuras gozam do apoio de caciques fiéis e poderosos que, na “máquina” partidária, lideram prestigiadas correntes de opinião e influência visando a manutenção do poder ou a conquista do mesmo por via de hábeis manobras de bastidores.


Embora sem esta dimensão conspirativa (valha-nos isso!), à Música Portuguesa também não faltam “barões” – nas bandas / músicos, no jornalismo / crítica, na rádio, no DJing, na TV, na edição, na fotografia -, a quem os caciques e os pobres de espírito (normalmente fãs acríticos e figuras interesseiras que pretendem obter benefícios) prestam incondicional vassalagem.
São sempre os mesmos a aparecer e a usufruir das melhores oportunidades, frequentemente monopolizando diversas áreas por via da acumulação de funções. São eles os “dinossauros intocáveis”, protegidos pelo establishment, com o qual se confundem e do qual fazem parte. Não é necessariamente o seu mérito que está em causa (embora, não raras vezes, a qualidade e relevância do trabalho que desenvolvem suscite dúvidas), mas a sua eternização em posições de vulto, sem que haja interesse por parte da indústria em encontrar sangue novo.
Ao verem ameaçada por novos valores a tribuna a que julgam ter direito ad aeternum pela “obra realizada” (merecerão uma medalha por isso, já que auferem salários para tal?), os “barões” assumem frequentemente comportamentos indignos. A eles e aos caciques assusta a emergência de novos talentos. Receiam perder protagonismo, influência e sustento, aterroriza-os a perspectiva de ceder o palco a outrem.


É altura, pois, de o mercado se abrir às novas gerações. Há muito sangue novo habilitado, com provas dadas, mas a quem o establishment afasta à partida, já que só a alguns iluminados é permitido o ingresso neste sistema restrito e fechado. Por exemplo, no que se refere ao jornalismo, a revista “CheckSound”, lançada recentemente, constitui um exemplo  profissionalismo e originalidade (unicamente disponível em formato PDF para download gratuito, o seu enfoque é a fotoreportagem). Contudo, a escassez de apoios inviabiliza voos mais arrojados.
Sem perspectivas ou reais oportunidades, as novas promessas encontram-se impossibilitadas de mostrar o seu real valor, confinando-se à produção vitalícia de obras meritórias no obscurantismo underground. Não constituirá isto um imenso desperdício de talento?
Dico

 

 

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